Eu sei que não é fácil! Pois, eu mesmo já pensei em desistir da graduação várias vezes! Foram inúmeros motivos: primeiras notas baixas da vida; muita teoria e pouca aplicação; distância da família; intermináveis listas de exercícios; dificuldades financeiras; noites sem dormir; problemas de saúde; sentimento de incapacidade que levava a acreditar que eu não levava jeito de estatístico.

Foram vários momentos de indecisão, que acrescentaram mais anos à minha formação. No entanto, não me sinto menos estatístico por causa disso. Na verdade, sempre tento ver o lado bom das coisas. Passar mais tempo na faculdade, me proporcionou mais experiências no estágio, desenvolver uma rede ampla de networking com estatísticos; sem contar que virei até uma “lenda” na faculdade.

Mas por diversas vezes, durante a graduação, eu me questionei: será que o que eu queria, ela podia me dar? Cadê as aplicações que eu tanto sonhava? Por que eu continuava fazendo contas e mais contas até amassar a ponta do dedo? Será que eu havia escolhido o curso errado? Por que a faculdade não incentivava a prática?

Hoje eu entendo! No final das contas, tudo aquilo era necessário. Você só precisa viver (ou sobreviver) esse período, que chamamos de base sólida. Viva ou sobreviva.

O importante é não desistir da Estatística.

Ingressar no curso de bacharel em Estatística, talvez não seja uma das missões mais difíceis (para a maioria dos egressos), considerando que o índice candidatos/vaga é um dos mais baixos em todas as universidades do país; oscilando entre 4 e 7,5 no Estado de São Paulo. A Universidade de São Paulo (USP) teve 5,72 candidatos/vaga; enquanto que a UNESP ficou com 4,1; e a Unicamp, uma das que mais oferece vagas no ano (70), atingiu 7,5; todas para o vestibular de 2016.

Entrar pode até realmente ser mais fácil do que outros cursos, ou não. Mas segundo uma pesquisa do jornal Gazeta do Povo, a facilidade de ingresso, a dificuldade das aulas, e a falta de vocação, estão entre as causas mais frequentes de desistência de um curso de graduação.

Acompanhar disciplinas difíceis dos primeiros 2 anos, não é uma tarefa fácil. Cálculo, álgebra linear, geometria analítica e equações diferenciais são matérias que costumam reprovar muitos alunos, e acabam por desestimulá-los. Lembro muito bem, quando eu tirei 4,2 na prova de cálculo I (minha primeira nota vermelha), e eu não entendia como isso tinha acontecido, diante de tudo que eu havia estudado. Comecei a perceber que eu não era tão bom de matemática, como eu achava que era.

Além da dificuldade com a matemática, a grade curricular dos cursos deixa a desejar no quesito organização e prioridade, já que as disciplinas relacionadas diretamente com a estatística (que são as mais atraentes), ficam para a segunda metade do curso.

Acredito que a inserção tardia de conteúdos estatísticos, somados à matemática “pesada” nos dois primeiros anos, e à falta de aplicabilidade na prática, contribuem de certa forma para que a evasão do curso seja alta; como vem ocorrendo nos últimos anos. Mesmo com o aumento das vagas, o número de formandos continua praticamente o mesmo.

A evolução de formandos em Estatística no Brasil

A evolução de formandos em Estatística no Brasil

É possível citar vários prós que fariam uma legião se interessar pela profissão, mas para não delongarmos o assunto destacarei seis motivos que a torna atraente:

  1. A estatística está em alta;
  2. É utilizada em praticamente todas as áreas do conhecimento;
  3. É uma das profissões mais bem pagas no hemisfério norte, principalmente EUA e Canadá;
  4. Tem a segunda maior média salarial do Brasil, e vem ganhando cada vez mais espaço no mundo corporativo;
  5. Apoia as tomadas de decisões das organizações de forma estratégica, deixando do lado o empirismo;
  6. A profissão é altamente globalizada.

Entretanto, ano após ano, o número de pessoas que cursam a graduação em estatística não aumenta expressivamente. O que estamos fazendo de errado? Ou o que não estamos fazendo? Como a estatística aparece para a sociedade? O que podemos fazer como profissionais da área para aumentar o número de candidatos/vaga? Sabemos que já falta estatístico no mercado atual; e como será daqui a 5 anos?

A minha experiência um tanto quanto traumática nos anos de graduação, não fez de mim um profissional ruim. Pelo contrário, mesmo lutando contra uma grande torcida que não acreditava em mim, ou que por muitas vezes tentaram me prejudicar, tive nessa trajetória pessoas importantes que me incentivaram, e me motivaram a continuar em busca do meu sonho, que sempre foi ser estatístico.

Essa ideia que eu quero deixar hoje para você como inspiração: “não importa o quão difícil será nosso caminho, e muito menos, quantas frustrações e decepções teremos que enfrentar. O que realmente importa é o nosso sonho de fazer aquilo que nos faz feliz! ”


Fontes

Formigoni, Meiry. (2013, fevereiro 26). Curso de estatística tem vagas sobrando: profissão tem um dos maiores salários do país [arquivo de vídeo]. Encontrado em https://www.youtube.com/watch?v=GXypMylxCp4

FUVEST 2016. Relação candidato vaga por curso: http://bit.ly/2g6q0JG

Souza, André Oliveira. (2013, janeiro 23). Profissão de estatístico tem segunda maior média salarial do Brasil [arquivo de vídeo]. Encontrado em https://www.youtube.com/watch?v=knYzFmPL0b8

Amplie seu conhecimento

Biurrum, André Lacerda; Nunes, Luciana Neves. Perfil do aluno evadido do curso de estatística da UFRGS. 15 f. Universidade de Campinas (UNICAMP), Campinas, 2011. Artigo disponível em http://www.ime.unicamp.br/sinape/sites/default/files/Artigo_19SINAPE.pdf

Martins, Geraldo Oliveira; Rocha, Silvana Heidemann. Evasão e tempo de permanência no curso de estatística da Universidade Federal do Paraná: um esudo sobre os alunos que ingressaram no período de 1991 a 2011. 90 f. Trabalho de Conclusão de curso (Graduação em Estatística). Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2011: http://bit.ly/2g6ygJX

Material usado

Imagem do rato na ratoeira: http://bit.ly/1OJ0GnX

Imagem do gráfico de Bacharelado em Estatística: http://bit.ly/1Q9lwhB

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