Por Júlio Henrique Ely Zibetti (Estatístico convidado) * 

As redes sociais têm “viralizado” piadas em torno dos institutos de pesquisa de intenção de voto. A dificuldade de retratar a real opinião dos eleitores baseia-se, principalmente, na volatilidade de opiniões (hoje você pode preferir um candidato e semana que vem outro), mas, principalmente, na forma como a amostra é selecionada (se você seleciona toda sua amostra no bairro elitizado ou toda ela numa vila, as conclusões poderão ser opostas).

A arte de selecionar uma boa amostra chama-se amostragem. O rigor com que essa amostragem é feita determina a confiabilidade da pesquisa. Por que não selecionamos mais eleitores em uma pesquisa? Basicamente por dois motivos: tempo e custos.

Após a fase de amostragem, chegamos à etapa de cálculos. Nela, através de algum software, calcularemos a medida desejada, normalmente uma média, ou, no caso das eleições, uma proporção. Ocorre que quanto maior a variabilidade, maior será o erro de previsão. Há ainda o índice de confiança, que é outra medida de incerteza das previsões, normalmente fixado em 95%. Agrava a situação, em última análise, o fato de qualquer variação percentual mudar o resultado da eleição. Portanto, nesse caso, precisão é fundamental.

Não se limitando ao caso em voga no momento, as aplicações desse assunto são praticamente infinitas. Desde a intenção de compra de um novo produto a ser lançado, o índice de qualidade de um carro sendo fabricado, até a opinião das pessoas sobre serviços prestados pelo governo.

Concluo e atrevo-me: “as aplicações da Estatística são de ordem infinita; finito é o nosso conhecimento sobre essas possíveis aplicações.”

 

* Júlio Henrique Ely Zibetti

Estatístico graduado pela UFRGS, Conselheiro e Associado do Conselho Regional de Estatística da 4ª região RS/SC (CONRE4), com registro nº 9339. Mestre em Engenharia de Produção pela UFRGS. Atuou na área de Inteligência de Mercado nos segmentos imobiliário, pesquisa de mercado e cartões de crédito. Atualmente é concursado do Estado do RS na área de Previdência e presta consultoria para empresas e alunos em geral, além de ser instrutor de cursos na área de Ciência de Dados.

Dados para contato:


Material usado

Imagem do Tablet e relatórios: http://institutosondage.com.br/pesquisa/politica-de-opiniao-publica

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