Você está na reta final da sua graduação, do seu mestrado ou quem sabe doutorado. E está decidido a entrar no mercado de trabalho, e enfrentar os desafios do mundo corporativo. Mas provavelmente está “cheio” de dúvidas, certo? Esse momento da vida costuma deixar a gente bem ansioso. Mas talvez eu possa ajudá-lo com algumas dicas para você começar a sua carreira. O que acha?

O meu objetivo é dividir com você, algumas dificuldades que enfrentamos ao iniciar a nossa carreira. Coisas do “Mundo Corporativo” que acontecem, e que provavelmente não foram ensinadas na faculdade, e que talvez você tenha dificuldade no início da sua jornada.

É claro, que se você fez algum estágio durante a sua graduação, você já pode ter se deparado com as situações que eu vou descrever. O contato com o mercado de trabalho ainda na graduação permite ao aluno de estatística, ter uma visão mais ampla da profissão, das áreas de atuação, e ainda por cima, resolver problemas, que geralmente só teria contato depois de formado.

Mas vamos lá, que você já deve estar ansioso!

Dificuldades iniciais

Digamos que você está prestes a se formar, já fez seu estágio (eu espero que tenha feito), e não vê a hora de aplicar tudo que aprendeu. É nesse momento que uma avalanche de sentimentos invade você: ansiedade, medo, alegria, desconfiança do novo, dúvida, liberdade, sensação de capacidade (ou incapacidade).

Chega a hora mais esperada pela maioria dos estudantes da graduação em estatística. Eu digo a maioria, porque não é todo mundo que quer o mercado de trabalho, pois temos os alunos que preferem seguir carreira acadêmica. E não há mal nenhum nisso.

Confesso que eu poderia fazer uma lista “um pouco extensa” sobre as dificuldades, mas eu não quero amedrontar quem está começando agora. E muito menos fazer profissionais, que estão no mercado há algum tempo, relembrar esses momentos de tensão.

Mas, há dificuldades que eu me sinto na “obrigação” de compartilhar com você. E são essas que eu vou listar aqui.

 1. Meu primeiro currículo

Acredito que essa seja a primeira grande dificuldade. Como eu faço meu currículo? Qual o tamanho que ele deve ter? Coloco experiências profissionais que eu tive antes da faculdade, mas que não tem nada a ver com minha carreira? Relato as atividades do meu estágio ou da minha bolsa de iniciação científica? E se eu não fiz estágio e não tive bolsa?

Calma, nem tudo está perdido. Mas a minha primeira dica é: Currículo de Mercado de Trabalho NÃO é Currículo Lattes.

O Currículo Lattes tem a finalidade de mostrar o seu percurso acadêmico, como estudante e pesquisador, e possui uma riqueza de detalhes impressionantes. Por isso, ele costuma ser bem maior do que um Currículo de Mercado, que por sua vez, costuma ter uma página escrita (início de carreira). A não ser que você já possua uma vasta experiência.

Se você tiver pouca (ou nenhuma) experiência, não invente situações. Você será testado em algumas vagas. E sinceramente, eu acredito que a vontade de aprender é mais importante que o conhecimento, para quem está começando a carreira. Mostre interesse e capacidade de executar as atividades.

2. Minha primeira entrevista

Depois que o seu currículo está pronto, você se candidata às vagas. Até aqui tudo normal. Você tem que se candidatar, e não ficar esperando a empresa “bater na sua porta”. Ela não vai fazer isso, salvo algumas exceções.

Depois dessa sua “longa jornada”, eis que surge a primeira entrevista. E agora, o que fazer? O que tenho que estudar? Com que roupa eu vou? Peço para um amigo ir comigo? O que eu devo levar?

Bem, o que eu tenho a dizer, é que essa hora é sua, meu amigo; e algumas coisas são inevitáveis. Suas mãos vão suar, e você vai parecer uma máquina, de tanta coisa que “decorou”. Afinal de contas, quantas funções, modelos e técnicas você aprendeu na faculdade. Nada mais justo do que querer mostrar tudo que sabe ao entrevistador, certo?

O problema é que essa é uma hora de tensão, e as incertezas e a insegurança colocam em dúvida o seu conhecimento. Mas não se preocupe! Nós aprendemos a lidar com “incertezas”, lembra? E não se desespere se não souber ou não lembrar de algo na hora. Você não é uma máquina. Apenas seja você mesmo, e não minta.

Minha dica para a entrevista é: “tome cuidado para não falar difícil. Não abuse de termos técnicos. Nem sempre quem entrevista você é um estatístico.”

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3. Minha impaciência

Não vou discutir sobre conflitos de gerações, mesmo porque sou jovem, e em algumas situações sou “um pouco” impaciente. Mas para você crescer na carreira, alcançar posições mais altas e aumentar sua remuneração conforme você vai adquirindo experiência, é necessário que você aprenda a lidar com a sua impaciência.

Provavelmente você trabalhará com equipes multidisciplinares, e você tem que entender que nem todos as pessoas têm um raciocínio tão lógico, como o seu.

É bem possível, que em determinado momento, você realize atividades das quais não vai gostar. Mas que “talvez” sejam necessárias para você entender como o negócio da empresa funciona.

A impaciência, decorrente do seu nível de ansiedade, pode fazer você achar que está pronto para assumir novas posições. Quando de fato, não está. Eu sei que controlar a ansiedade é quase uma tarefa impossível para algumas pessoas. Mas você precisa dominá-la para crescer na carreira.

4. “Eu não estou acostumado com pressão”

Você chega a sentir saudades da época que o professor estipulava prazo de 1 semana para entrega de trabalhos. Sabe aquelas listas de Cálculo, Inferência, Modelagem, Multivariada? Em alguns momentos você vai desejar resolvê-las de novo.

As atividades do mercado de trabalho acontecem em uma velocidade bem diferente da universidade. E adaptar-se à nova realidade é algo difícil. Prazos apertados, falta de informação, pouca orientação, falha na comunicação e dificuldades com a equipe são apenas alguns fatores que podem desequilibrar você.

Não quero destruir seus sonhos, mas não existe trabalho (ou vida) sem pressão. O que eu posso dizer, é que a pressão que você sofre, e como você lida com ela, pode, e provavelmente vai influenciar diretamente no seu sucesso ou fracasso.

5. “Eu estou no caminho certo?”

Será que eu serei bem-sucedido já no meu primeiro emprego? Será que eu tenho o conhecimento necessário para desenvolver as atividades? E se eu não gostar da área que eu escolhi? Posso mudar?

Geralmente, nós formamos muito jovens, e essas perguntas começam a pairar sobre nossa cabeça. Principalmente nas primeiras oportunidades de emprego. Eu diria que isso acontece com praticamente todo mundo.

O que eu posso dizer é que não conseguimos obter todas as respostas tão rápido assim. Afinal de contas o mundo está mudando cada vez mais rápido, e nem sempre o que planejamos para nossas carreiras segue o caminho desejado.

No início da minha carreira fiz o melhor que eu poderia ter feito no momento (e faço isso em todas as oportunidades que eu tenho). Já trabalhei nas áreas de educação, saúde, agronegócio, médica, engenharia e seguros, e provavelmente vou experimentar outras áreas. Não há mal algum em mudar de área.

Meus conselhos para você: dê o máximo de si no trabalho; aprenda coisas novas sempre; conheça o negócio em que você trabalha; adquira vasta experiência; converse e trabalhe com equipes multidisciplinares; seja curioso.

É participando do todo, que você poderá decidir se está ou não no caminho certo.

Minha expectativa de mercado

Eu sei que você já sabe que a nossa profissão é uma das mais bem pagas do Brasil. E está em alta em países como Estados Unidos, Canadá e Alemanha; principalmente com o advento do Big Data, e da mais nova “badalada” profissão: Cientista de Dados.

Suas expectativas certamente são bem altas. Afinal de contas você ficou no mínimo 4 anos na graduação.

Então, o que provavelmente você espera é ganhar cerca R$ 15.000 por mês, trabalhar com os melhores recursos computacionais para análise de dados (R, SAS, Python), fazer gráficos legais (complexos), escrever relatórios do seu jeito, apresentar os resultados da forma que quiser, ter colegas de trabalho que gostem de você; e é claro, receber aquela promoção merecida já nos 6 primeiros meses. Certo?

Que bom seria se fosse assim!

Análise de dados com muita experiência

Análise de dados com muita experiência

O mercado de trabalho na prática

Eu não quero, e não vou enganar você. Nós não começamos a carreira ganhando R$ 15.000 por mês (sim, já recebi perguntas assim). Seu aumento de salário é gradativo, e vai evoluindo conforme você produz e aprende. Essa evolução está mais ligada com o conhecimento que você ainda vai aprender, do que com o que já aprendeu a vida toda.

Dependendo da empresa que você vai trabalhar, ela não terá todos os recursos dos quais você precisa. Portanto, não espere que você tenha múltiplas telas de computador, bases de dados perfeitas (geradas para dar certo), equipes em perfeita harmonia.

Você não vai poder fazer os gráficos que quiser. E nem apresentar resultados da forma que você acha melhor. Você tem que fazer gráficos e apresentar resultados de forma que a maioria das pessoas entendam.

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Você terá que treinar muito a sua comunicação. Se fazer entender. Você pode fazer análises e trabalhos fantásticos, mas se não conseguir fazer os envolvidos entenderem, então não surtirá efeito algum. E seu trabalho pode ser literalmente “jogado no lixo”.

Entenda e aceite: “no começo da carreira, você não terá todas as respostas; embora as pessoas achem que você tenha.” Mais importante do que ter todas as respostas; é saber onde encontrá-las.

Minha dica final é: Fique tranquilo! Você não está nessa sozinho. Praticamente todo mundo que está no mercado já passou por isso algum dia na vida.

Ufa! Se você chegou até aqui, eu espero que tenha alcançado meu objetivo. Peço desculpas pelo texto ter ficado um pouco longo. Fiquei um tempo sem escrever, e acabei me empolgando.


Material usado

Imagem de uma mesa de reunião: http://bit.ly/2cugDPU

Imagem da minha primeira entrevista: http://bit.ly/2bZoeYv

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