Os avanços na tecnologia vêm mudando o mundo como conhecemos hoje, e essas mudanças causarão impactos positivos e negativos para a sociedade. Um dos impactos será a constante mudança da dinâmica do mercado de trabalho. Sabe aquele emprego imprescindível de 30 anos atrás, tipo datilógrafo? Ele não existe mais, e muitos profissionais (principalmente mulheres), ficaram desempregados quando o mercado percebeu que a “arte da datilografia” não era mais necessária. E por que isso aconteceu?

Provavelmente isso aconteceu porque os profissionais não acompanharam a evolução das novas tecnologias. Houve uma época de transição, em que os escritórios trocaram suas “Remingtons” por computadores, e digitar passou a ser apenas obrigação. O diferencial começou a ser mexer no mouse, entender como funciona o CAPS LOCK e salvar seu trabalho. Essa mudança no mercado de trabalho dos datilógrafos aconteceu entre 1970 e 1980. Estamos falando de menos de 45 anos atrás.

Por que eu estou contando essa história para você? Porque eu quero fazer uma analogia com a nossa profissão. Não estou querendo dizer que somos datilógrafos (com todo respeito), já passamos dessa fase. Quero dizer que precisamos tomar o momento como exemplo e nos atualizar. Nos antecipar as mudanças. Estarmos preparados quando ela vier. Muita coisa já mudou depois que você e eu nos formamos.

Se ficarmos apenas com o nosso conhecimento do passado, existe uma grande probabilidade de ficarmos obsoletos como as máquinas de escrever. Precisamos elevar a nossa capacidade de aprender coisas novas.

Estatístico de legislação

A Lei que regulamenta a profissão do Estatístico existe há meio século. Podemos dizer que é uma profissão jovem, e que nos últimos anos tem crescido de forma surpreendente, com advento de novas tecnologias, como Machine Learning, Deep Learning, Inteligência Artificial, Internet das Coisas.

Sabe essas tecnologias que eu acabei de citar? Elas não existiam na época da regulamentação da profissão e da elaboração do código de ética profissional do estatístico. A Lei define que as atividades próprias do campo da estatística são basicamente amostragem, processos estocásticos, testes estatísticos, analise de séries temporais, análise de variância, controle estatístico de qualidade, demografia, bioestatística, cálculo de coeficientes estatísticos, ajustamento de dados e censos.

Isso é exatamente o que aprendemos nas Universidades até hoje. Mas muita coisa já mudou desde a criação da Lei até os dias atuais.

A verdade é que aprendemos muita teoria e quase não praticamos (lista de exercícios não conta). Existe uma distância muito grande e que aumenta diariamente, entre o que aprendemos e o que realmente utilizamos no mercado de trabalho. C. Rao já dizia em um paper sobre as “Perspectivas da Estatística” que ele escreveu em 1979 e foi publicado no “The Indian Journal of Statistics”:

Suggestions are made about the training of statisticians with a proper blend of theoretical knowledge and skill in applications, development of statistical courses for specialists in other disciplines, the role of government statisticians, and the use of computers in statistical research. Some examples are given to highlight the difficulties involved in defining the efficiency of an estimator and the possible dangers in the uncritical use of methods developed by academic statisticians in practical work.

Há 40 anos, Rao já fazia menção à necessidade de aprender as novas tecnologias da época, e a conectar o aprendizado teórico com as aplicações. Ainda hoje, os órgãos responsáveis pela educação dos novos estatísticos não se adaptaram à realidade.

Estatístico do futuro

Se você quer estar preparado para o futuro precisa aprender a aprender. Precisa quebrar paradigmas. Os estatísticos de 30 anos, 10 anos e 5 anos atrás precisam se atualizar. Eu e você precisamos nos atualizar. Os estatísticos do futuro precisam se atualizar.

Está ficando cada vez mais comum as empresas exigirem conhecimentos e habilidades que não tivemos e não aprendemos na faculdade. O seu futuro depende do que você vai fazer com essa informação. Você vai reclamar nas redes sociais ou vai identificar o que o mercado está exigindo e se atualizar?

O estatístico do futuro não pode mais ficar responsável apenas por realizar cálculos e análise dos dados. Além disso, você precisa se comunicar com outros profissionais, e trabalhar sozinho já não é mais uma opção até mesmo para quem trabalha com consultorias. Você precisa aumentar a sua capacidade de resolver problemas da vida real. Precisa colaborar mais. Criar mais. Entender como as coisas funcionam.

Então qual é o papel do estatístico do futuro?

O estatístico do futuro tem o papel de aplicar o conhecimento teórico em conjunto com novas tecnologias para resolver os problemas da humanidade, como fez Florence Nightingale. Trabalhar em equipes multidisciplinares, entender os questionamentos e juntos, chegarem às melhores soluções com as ferramentas que se tem em mãos.

Aproveitando o momento, se você quer ser um estatístico do futuro, hoje às 14:00 tem uma LIVE sobre como a “Inteligência Artificial pode mudar o mundo”. Você pode se inscrever AQUI.

Até a próxima!


Fontes

BRASIL. Lei 4.739, de 15 de julho de 1965. Dispõe sobre o exercício da profissão de estatístico e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/LEIS/1950-1969/L4739.htm. Acesso em: 5 mar. 2017.

BRASIL. Resolução CONFE N° 58, de 6 de outubro de 1976. Aprova o Código de Ética Profissional do Estatístico. Disponível em http://www.confe.org.br/resolucao_58.pdf. Acesso em: 4 mar. 2017.

CARDOSO, Carlos. Meio Bit. A perdida arte da datilografia. [Blog internet]. Consultado em 07/03/2017. Disponível em http://meiobit.com/89483/a-perdida-arte-da-datilografia/

Amplie seu conhecimento

YouTube. (2015, abril 2). Why you need to study statistics [arquivo de video]. Encontrado em: https://www.youtube.com/watch?v=wV0Ks7aS7YI

Material usado

Imagem do homem desenhando: http://bit.ly/2moLu7e

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