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CONE – Dia 1: Big Data e Produção de Estatísticas Oficiais

CONE – Dia 1: Big Data e Produção de Estatísticas Oficiais

O CONE – Congresso de Estatística é um daqueles eventos que esperamos ansiosamente acontecer. Pelo menos eu estava ansioso e com muita vontade de comparecer. São oportunidades como essas que nos permitem conhecer profissionais referência na área de estatística e novas frentes, como Big Data e Database Pooling. Nos permite enxergar aplicações da estatística até então desconhecidas para nós.

Para você que não compareceu ao CONE e para você que estava por lá, eu resolvi fazer um resumo do evento para compartilhar conhecimento, percepções e deixar registrado no blog, esse evento tão maravilhoso. Então para começar vamos falar sobre o evento, sua organização e o primeiro dia.

CONE e Brasil Produções

O CONE foi direcionado com a proposta de mudar os rumos da estatística no Brasil. Ficou evidente que um dos objetivos foi compartilhar os avanços da estatística nas diversas áreas do conhecimento em conjunto com os principais atores do segmento. Temas variados e debate de ideias tornaram o evento muito enriquecedor e digno de mais edições.

Tenho a certeza que a Brasil Produções conseguiu atingir perfeitamente seu objetivo, pois já planejam mais 2 edições (2018 e 2019), sendo a 2018 em São Paulo. Aguardem, estaremos por lá!

À Brasil Produções eu quero deixar meus parabéns para toda a equipe, que foi responsável por criar e proporcionar o CONE 2017 na cidade de Belo Horizonte, com o apoio primordial do CONRE-6. Agradecimentos especiais ao Rodrigo Salgueiro por me convidar para palestrar e ao Wagner Pinheiro por me ajudar a compreender o painel 4.

Também gostaria de agradecer aos apoios institucionais da UFMG, UFJF, UFOP, IBGE, FGV, CONRE-1, CONRE-2, CONRE-3, CONRE-5, CONFE e CONRE-4, o qual eu sou Conselheiro. E ao patrocínio ouro do SAS, com a presença ilustre de Adriana Silva.

Um evento como o CONE é de extrema importância para a comunidade de estatísticos e a para a sociedade que precisa da estatística para melhorar suas condições de vida. São em palestras e debates, como os que aconteceram, que surgem novas ideias e mudam nossa perspectiva de enxergar o mundo. Que venham mais CONE’s.

Então, vamos ver o que aconteceu no primeiro dia.

Dia 1

O primeiro dia do CONE aconteceu em 1° de junho. Tivemos uma solenidade de abertura e uma Conferência Magna sobre “A Estatística no século XXI” que me disseram que foi muito boa, mas eu perdi porque meu voo havia sido cancelado. Mas pelo título, você já consegue imaginar enquanto essa conferência foi espetacular.

Logo em seguida houve a entrega dos troféus CONE 2017, em homenagem às entidades amigas e um coffee break. Na sequência foi apresentado o Painel 1.

Painel 1: Big Data, Business Intelligence (BI) e Estatística

Esse painel foi composto por 4 temas, 4 palestrantes e 1 mediador. Cada palestrante desenvolveu um tema condizente com a proposta do painel e na sequência houve um debate muito enriquecedor. Infelizmente, eu não consegui assistir as palestras do Marcos Coque e da Doris Fontes, e não poderei comentar com detalhes. Mas resumirei demais temas para você.

Tema 1: “A estatística na era do big data, machine learning e outras buzzwords”

Esse tema foi apresentado por Marcos Antônio Coque Junior, Cientista de Dados da Fintech Lendico Brasil. Apaixonado por modelagem estatística, machine learning e data science, Marcos falou sobre a importância da estatística na era em que o compartilhamento e a disponibilização de dados cresce exponencialmente. Diante de novas tecnologias e facilidade computacional é possível processar uma grande quantidade de dados e tornar um modelo estatístico automático, processo conhecido como machine learning.

Tema 2: “Big Data e Big Challenges”

Esse tema foi apresentado por Doris Satie Maruyama Fontes, Presidente do CONRE-3. Apaixonada pela estatística e referência na área de atuação, Doris comentou sobre o big data e os grandes desafios de se trabalhar com uma grande quantidade de dados. . Com o advento de novas tecnologias, a análise de grandes bases de dados está cada vez mais presente no cotidiano do estatístico.

Tema 3: “Desafios na adaptação de currículos de cursos de graduação em estatística com ênfase em ciência de dados”

Esse tema foi apresentado por Clécio da Silva Ferreira, Departamento de Estatística da UFJF. Professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Clécio é apaixonado pela estatística e por orientar seus alunos. Ele expôs as dificuldades da graduação em estatística, que possui um currículo básico e não desenvolve as questões computacionais, atualmente tão presente na nossa profissão. Comentou sobre a falta de prática durante o curso, da necessidade de aprendermos novas tecnologias e implementação do conhecimento estatístico.

Tema 4: “Stats4Good: por uma sociedade mais bem informada”

Esse tema foi apresentado por Luís Gustavo Silva e Silva, representante do grupo de pesquisa Stats4Good (Estatística para o Bem) da UFMG. O propósito da Stats4Good é aprender, ensinar e discutir as mais recentes tecnologias em análise, modelagem, gerenciamento e visualização de dados. Luís Gustavo apresentou alguns projetos, como o projeto Veraz que apresentou estatísticas bem interessantes, como o quanto o governo gastou com passagens aéreas entre janeiro e abril de 2017.

Da esquerda para a direia: Doris Fontes, Luís Gustavo, Clécio Ferreira e Marcos Coque

Painel 2: Produção de estatísticas oficiais e o mercado

Esse painel foi composto por 3 temas, 3 palestrantes e 1 mediador. Os palestrantes também desenvolveram temas condizentes com as propostas do painel e também tivemos um excelente debate. Participei de todas as palestras e vou conseguir resumir melhor para você.

Tema 1: “Estatística oficial”

Esse tema foi apresentado por Guilherme Guimarães Moreira, Estatístico do IBGE. Guilherme apresentou a metodologia de pesquisa que o IBGE utiliza para produzir as estatísticas oficiais: definição e princípios de estatísticas oficias, problemas encontrados nos desenhos amostrais, disponibilização das informações e quais são os passos para a criação de uma nova estatística.

Algo que eu particularmente achei muito bacana, foi quando ele apresentou os princípios fundamentais de uma estatística oficial: relevância, imparcialidade, igualdade de acesso, responsabilidade. Na correria do dia a dia, quando fazemos análises estatísticas, às vezes não percebemos o quanto àquela estatística do projeto não tem relevância.

Tema 2: “Métodos estatísticos para divulgação de dados confidenciais”

Esse tema foi apresentado por Thais Paiva Galetti, Departamento de Estatística da UFMG. Thais tocou em um ponto interessante em épocas de big data: “Como divulgar bases de dados para que sejam utilizadas para pesquisas de maneira segura, protegendo o sigilo e a privacidade dos indivíduos? ”

Thais falou sobre os desafios e problemas encontrados na massificação de dados. Apresentou exemplos de usos indevidos, descreveu os riscos de um indivíduo ser identificado em uma base de dados e divulgou métodos de proteção aos dados, como agregação, supressão e troca.

Achei muito interessante quando Thais conceituou dados sintéticos e dados georreferenciados. Mas a aplicação com dados plotados no mapa foi o ponto alto da apresentação.

Tema 3: “A produção de indicadores para monitoramento local de políticas públicas: desafios e perspectivas”

Esse tema foi apresentado por Rodrigo Nunes, Gerente de Planejamento do Desenvolvimento Social da Prefeitura de Belo Horizonte. Rodrigo levantou a questão do por que utilizar indicadores de monitoramento de políticas públicas. Alguns pontos citados foram: a necessidade de democratizar informações sobre as realidades sociais e a exigência crescente de monitoramento e avaliação de políticas públicas.

A palestra do Rodrigo é um excelente exemplo de como a estatística pode ajudar a melhorar a vida da sociedade. Isso ficou muito claro, quando Rodrigo apresentou um mapa com índice de vulnerabilidade juvenil em BH (2015). Perceba o quão é importante essa informação para planejamento de um projeto que possa ajudar a minimizar esse problema.

Da esquerda para a direia: Rodrigo Nunes, Thais Paiva e Guilherme Guimarães

Conclusões

O CONE foi um evento muito rico que proporcionou muitos aprendizados e networking. Minhas conclusões e percepções sobre tudo que vi no primeiro dia:

  • O Estatístico precisa aprender novas tecnologias para trabalhar com grandes bases de dados.
  • Os cursos de graduação em estatística no Brasil possuem um currículo básico muito focado na base teórica e pouco na computacional.
  • Os alunos de estatística, os estudantes de estatística e os profissionais estatísticos precisam se mexer para aprender novas tecnologias de análises de dados que surgem a todo momento. Se não fizerem isso, vão perder espaço para outros profissionais.
  • Análises estatísticas aplicadas em dados abertos podem mudar a política de um país.
  • As Estatísticas Oficiais são necessárias e imprescindíveis para a gestão de um país.
  • É muito importante manter a segurança da informação, principalmente em tempos de redes sociais.
  • As democratizações de informações sobre as realidades sociais de uma região podem melhorar a vida da sociedade local.

Esse foi apenas o primeiro dia.

Um abraço e até o próximo texto!


Material usado

Imagem do acervo pessoal: Foto do evento

Fotos dos palestrantes do CONE: https://www.cone2017.com.br/fotos


 

Raniere Ramos


Estatístico, Blogueiro, Conselheiro do CONRE-4, aspirante a palestrante. Louco por constante aprendizado. Minha missão é promover a estatística de um jeito simples, divertido e ao alcance de todos, como você nunca viu antes.

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