Privacidade Hackeada: É possível Proteger Nossos Dados?

Eleições de 2016 nos EUA. Em uma noite histórica do dia 9 de novembro, Donald Trump é eleito o 45° presidente da história. Com uma grande virada, ele triunfou sobre Hillary Clinton, contrariando mais uma vez as pesquisas, experts e a classe política.

Na época, o diretor da campanha digital de Donald Trump alegou ter publicado 5,9 milhões de anúncios no Facebook; em contraste com 66.000 da campanha de Hillary. Em decorrência do sucesso, o diretor foi promovido a chefe da campanha digital para as eleições de 2020, onde 11 candidatos democratas concorrem entre si para enfrentar Trump na reta final.

Mas como funcionou essa campanha digital? Onde eles conseguiram os dados dos cidadãos americanos? Como processaram? Com quem compartilharam? Os americanos tinham opção em não participar?

Baseado em relatos de ex-funcionários da Cambridge Analytica; jornalistas do The Guardian; o professor David Carrol; o matemático Paul-Olivier Dehaye; o advogado de direitos sobre os dados, Ravi Naik; Christopher Wylie e outros envolvidos, a NETFLIX gravou o filme “Privacidade Hackeada”.

https://twitter.com/chrisinsilico/status/1016955734570029056
Resumo do Christopher (cientista de dados) da Cambridge

O filme mostra como uma empresa de análise de dados, Cambridge Analytica, se tornou um símbolo sombrio das redes sociais após a eleição de 2016 nos EUA. Com ambientes repletos de grandes inovações, a Cambrigde, considerada uma empresa de comunicação que era líder mundial em análise de dados, utilizou informações dos americanos para direcionar a campanha digital de Trump.

Dados de atualização de status, curtidas, compartilhamentos, fotos e até mesmo, mensagens privadas foram coletadas para criar um perfil psicológico de cada indivíduo. Ao todo, a empresa conseguiu coletar cerca de 5.000 pontos sobre cada eleitor. Essas informações foram aplicadas em um modelo para identificar grupos com personalidades semelhantes.

Baseado nos resultados, a empresa conseguiu elaborar estratégias para influenciar na mudança de comportamento dos eleitores americanos em cada Estado, alterando a personalidade de forma individual. Agindo diretamente na personalidade que impacta no comportamento, o voto foi alterado, atingindo o objetivo de conquistar os estados que faltavam.

Mas até que ponto esse tipo de análise deve ser utilizado? A Cambridge marcou na história a forma como a democracia passou a ser exercida. Em 2020, os EUA terão novas eleições e a Cambridge já não existe mais. Qual empresa será a bola da vez?

O filme traz muitos momentos de reflexão:

  • Nosso comportamento está sendo antecipado?
  • Nós somos os produtos e fornecemos o bem mais valioso? Nossos dados?
  • O abuso das análises de dados e informações está afetando nossas vidas de que forma?
  • O quanto de informação você está deixando por aí? Isso incomoda você?

A história que nos foi contada é que as redes sociais foram criadas para nos conectar, criar comunidades e fazer as pessoas ficarem mais próximas. Mas há tempos que ultrapassamos esses princípios.

Independentemente de você trabalhar ou não com análise de dados, recomendo fortemente que assista “Privacidade Hackeada” e tente não ficar assustado.

A pergunta que eu deixo para você refletir é:

“Podemos fazer algo para proteger melhor nossos dados?”

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