As Previsões de James Hansen

Terrantar, um projeto brasileiro que é responsável por monitorar as consequências da mudança climática global em 23 locais do continente, registrou 20,75 °C na ilha Seymour, localizada na Antártica. Pela primeira vez, a marca de 20 °C foi batida e assustou os cientistas, que afirmaram que a temperatura elevada demostra o início de um clima possivelmente instável do continente, que já está pressionado pelo derretimento constante das geleiras da região.

Aussieark, uma organização australiana criada para proteger as espécies de animais ameaçadas da Austrália, mantendo populações seguras e robustas; criando ecossistemas saudáveis ​​nos santuários da Arca Australiana. A iniciativa tem um papel fundamental para minimizar as consequências dos incêndios que se alastram pela Austrália destruindo casas, matando animais e pessoas, e produzindo muito CO2.

Deter, um levantamento rápido de alertas com evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Espaciais – INPE. Foi utilizado para monitorar as queimadas sem controle que estavam ocorrendo na Amazônia e provocaram uma crise internacional.

Presidente da França levou o problema para o G7; o secretário-geral da Organização das Nações Unidas fez pronunciamento; personalidades do mundo inteiro se manifestaram nas redes sociais. No entanto, mesmo com dados da NASA corroborando com o aumento das queimadas, o governo contestou os dados e demitiu o presidente do INPE.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais – CEMADEN alertou recentemente que a cidade de São Paulo terá chuvas cada vez mais fortes e mais frequentes. Nos últimos 70 anos, os registros de chuva forte na cidade triplicaram. O que aconteceu no mês de fevereiro de 2020, infelizmente acontecerá com mais frequência.

Em 2019, Greta Thunberg foi escolhida como a personalidade do ano pela revista Time. Greta é uma ativista ambiental com foco nas mudanças climáticas. Ela possui 17 anos e se tornou uma das vozes mais convincentes e respeitadas nas questões mais importantes sobre o clima que o planeta vem enfrentando.

previsões

Independentemente de você morar ou não em cidades grandes, que são as que mais sofrem com as mudanças climáticas, é importante saber quais são as consequências e como elas afetarão sua vida.

Por mais que tenhamos registros das mudanças que vem ocorrendo, o comportamento do tempo é difícil de prever, como apresentado no documentário “Está Tudo nos Números”. No entanto, prever alterações do tempo e do clima com base nas mudanças climáticas não é algo recente. James Hansen foi um dos primeiros a fazer previsões dessa natureza no início da década de 80.

Diante do contexto e da relevância do tema, eu quero compartilhar com você as previsões de James Hansen. Fique agora com o trecho do livro “O Sinal e o Ruído – Por que tantas previsões falham e outras não”.


As previsões de James Hansen

Um artigo publicado por Hansen e outros seis cientistas no prestigioso periódico Science, em 1981, foi uma das primeiras abordagens sobre a previsão do aumento da temperatura. Essas previsões, com base em estimativas estatísticas simples dos efeitos do CO2 e de outros gases atmosféricos, e não num sofisticado modelo de simulação, saíram-se muito bem. Na verdade, subestimaram sutilmente o nível de aquecimento global observado ao longo de 2011.

Hansen ficou mais conhecido, contudo, quando apresentou suas pesquisas ao Congresso americano, em 1988, e por um artigo relacionado, publicado no Journal of Geophysical Research, em 1988. Esse conjunto de previsões baseava-se, de fato, num modelo tridimensional da atmosfera.

Hansen disse ao Congresso que o estado de Washington teria, com cada vez mais frequência, “verões quentes”. No artigo, definiu como “verão quente” aquele no qual as temperaturas médias ficariam no terço superior dos índices registrados nos verões mais quentes entre 1950 e 1980. Disse também que, até a década de 1990, Washington poderia esperar essas temperaturas altas em 50% ou 70% do tempo, quase o dobro de seu parâmetro de referência, que era de 33%.

Na verdade, a previsão de Hansen demonstrou-se muito presciente para Washington. Na década de 1990, seis verões foram qualificados como quentes, sendo bastante fiéis à sua previsão. O mesmo quadro persistiu na década de 2000, e em 2012 Washington viveu uma onda de calor recorde.

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No artigo, Hansen também fez previsões para outras três cidades: Omaha, Memphis e Nova York. Os resultados foram ainda mais mistos e ilustram a variabilidade regional do clima. Apenas um verão em Omaha, em toda a década de 1990, qualificou-se como “quente” pelos padrões de Hansen, bem abaixo da taxa média histórica de 33%. Contudo, oito verões em Nova York foram qualificados assim segundo observações realizadas no aeroporto de LaGuardia.

De modo geral, as previsões para as quatro cidades foram boas, porém mais próximas da extremidade inferior da faixa de Hansen. É mais difícil avaliar suas previsões para a temperatura global, pois articulam uma variedade de cenários que partem de diferentes pressupostos, mas também foram um pouco altas. Mesmo o cenário mais conservador superestimou o aquecimento vivenciado ao longo de 2011.